Estou feliz. Não tenho anónimos parvos no meu blog. Tenho um que de vez em quando vem aqui deixar um comentário a dizer que tenho a pila pequena e o Viagra é que me fazia bem, mas é o ex namorado de uma tipa qualquer que ainda hoje chora por mim pelos cantos, por isso não lhe ligo nenhuma.
No entanto, há anónimos por aí que sim senhor. São uns fixes. Porque foram ao blog dela e deixaram um comentário com
este (sim, é um link) post na íntegra na comentários. E que logo a seguir deixaram uma mensagem tipo "Gaja, andas a comer gelados com a testa? Mete-te no carro e vai ter com o moço!". A modos que ela fez isso.
Apareceu-me lá por casa, deviam ser umas dez da noite. Como a minha campainha de casa não toca (uma bênção, ao fim de semana...), ela teve que tocar à do vizinho do lado. Que lhe abriu a porta do prédio. E ela subiu ao segundo andar. E bateu à porta, depressa, um grito de socorro com o nó de um dedo assustado. Eu, nu e à vontade pela casa como é normal, estava sentado ao computador e dei um pulo na cadeira. Gritei "Quem é?", enquanto procurava roupa para vestir e pensava nas possibilidades: a Fátima que me limpa a casa? A Rosa Maria do terceiro a queixar-se do barulho que eu não estava a fazer? O Romão do segundo porque tinha uma carta enganada no correio? O Vaz do terceiro que tinha um papel para eu assinar? "É a 'Gaja'", foi a resposta. Juro que se não estivesse perto da soleira da porta do escritório e não me tivesse agarrado a ela, tinha caído para o lado. Para trás. Para a frente. Para qualquer lado. Esqueci que estava nu. Esqueci de respirar. O meu coração saltou um batimento e descompensou.
Respirei fundo uma, duas, três vezes, as vezes que foram precisas, enquanto caminhava para a porta. Abri-a e espreitei ainda incrédulo para confirmar que era mesmo ela. Sabrinas a condizer com a mala, calças e blusa azuis escuras, casaco da moda amarelo-limão suave. Mais magra. Foda-se, muito mais magra! E Eu de boca aberta...
Entra. Boa noite. Estás aqui a fazer o quê? Não sei. Porque é que vieste? Não sei. O que é que mudou? Não sei. Muitos não sei's de início. Muita conversa depois. A explicação do sucedido. A chegada a casa sem bateria e o susto quando viu o comentário do anónimo e o seu conteúdo. O que fez a seguir. A correria. A indefinição. O não pensar. O caminho até minha casa. As vontades, os desejos, as definições. E agora cá estou. Feliz, sem dúvida. Incrédulo, sem dúvida. Nunca esperei este gesto dela. Disse-lho algumas vezes ontem e outras tantas hoje de manhã. Convencido? Não. Isso não. Mas não estou desconfiado. Não acho que seja brincadeira. Não se vai virar para mim logo e dizer "Não, mudei de ideias". Isso eu sei. E vai ter mais cuidado. E eu também, porque a culpa não é toda dela. Nem nada que se pareça.
Como já pensei alto hoje: Se vai funcionar, se vou ser feliz? Não sei. Mas quero navegar esta onda
de euforia e felicidade até ao fim e ver em que praia desaguo...