Cheguei a casa há 10 minutos. O percurso percorrido desde ontem foi o mesmo, a distância igual, o tempo foram menos 18 segundos. 1:14:42. Incrível. Não melhorei absolutamente nada. Mas também não piorei, o que é óptimo, sabendo que nos últimos 4 dias já fiz quilómetros suficientes para chegar a casa dela. Amanhã, chego ao meu trabalho.
Daqui a meia hora sou esperado na casa dos meus pais para jantar. Confesso que não me apetece. Mas vou. Porque eles não sabem o que eu sofro cada vez que chego a casa e eu não os quero preocupar. Não sabem o quanto tenho penado por estar sozinho em casa. A falta que me faz uma companhia. O quanto desejava tê-la aqui, ao meu lado.
Este sentimento acompanha-me todos os dias. O pior é eu saber que só o ia ter durante uma semana, um mês, dois meses... E depois ele ia abandonar-me novamente. Porque me senti traído neste tempo que estivemos juntos. Porque as palavras foram consonantes com os actos, apenas em determinada medida. Chegou a altura do primeiro desafio e eu fiquei de calças na mão. E isso doeu mais que uma tareia.
Neste momento, eu sinto a tua falta. Neste momento, eu gostava de te fazer o jantar, depois ficar no sofá, abraçado a ti, a ver as séries que tanto gostávamos, para depois te levar para a cama, amar-te como tu mereces e dormir aconchegado e abraçado a ti, o teu forninho nas noites mais frias. Beijar-te as costas, os ombros e o pescoço como eu sei que tu gostas, cheirar o teu perfume e ficar sossegado.
Mas o coração é traiçoeiro, é o diabinho em cima do ombro direito. Depois vem o cérebro, qual anjinho, por cima do ombro esquerdo e diz assim: "Não Passion, não penses mais nisso... Porque depois desiludes-te outra vez e é pior." E o que é a vida senão um mar de desilusões? É o que apetece responder. Será que algum dia alguém vai conseguir não me desiludir? Manter-me agarrado o suficiente para me apetecer surpreender e colocar um sorriso na boca? Fazer-me desejar que o dia acabe mais depressa e que a noite não termine, para poder passar cada segundo livre com ela?